Aprendendo o bê-a-bá em russo

Juliana realiza trabalho voluntário desde 2011

Juliana Magalhães Vilas Boas é aluna de ciências contábeis da Escola de Economia e Administração da USP (FEA) e em 2012 foi para a Rússia realizar um intercâmbio social. Lá ela aprendeu, além de uma e outra palavra, que é possível se comunicar mesmo quando o idioma parece ser a maior barreira para estabelecer contato com os novos companheiros, sejam eles adultos ou não…

Como surgiu a oportunidade de fazer esse intercâmbio para a Rússia? Você realizava algum trabalho voluntário no Brasil?

No Brasil, eu já trabalhava voluntariamente na AIESEC, uma organização de jovens universitários do mundo que tem seu escritório localizado na FEA. A organização promove, além do trabalho voluntário no escritório, intercâmbio social e profissional, visando o desenvolvimento do potencial de liderança de jovens estudantes; e foi trabalhando lá que conheci a oportunidade e resolvi ir para a Rússia. Qualquer pessoa pode, tanto trabalhar na AIESEC, como também, fazer um dos programas de intercâmbio oferecidos por eles.

 Por que a Rússia?

A partir do momento em que resolvi fazer meu intercâmbio, a Rússia ainda não estava nos meus planos, pensava sim no leste europeu, mas também na América Latina, principalmente, na Colômbia. Então comecei a procurar projetos que me interessavam, não me importando tanto com o país em si, mas com a descrição da vaga. Depois de procurar e me interessar por vários projetos pelo mundo, vi esse e pensei: “Por que não?”. Nunca tinha imaginado que talvez pudesse conhecer a Rússia, e provavelmente não teria outra oportunidade… e foi mais ou menos assim que me decidi pelo país!

 Com qual comunidade você teve contato? Como eles te receberam?

Fui para uma cidade chamada Samara, lá eu trabalhei em um acampamento de verão com crianças russas de classe média, entre 4 e 12 anos. A recepção foi incrível, os russos são surpreendentemente amigáveis e amáveis, algo que não esperava. Imaginava-os muitos frios e distantes.

Grupo com que Juliana teve contato durante o tempo em que viveu na Rússia

 Vocês se comunicavam em qual língua?

No acampamento, nenhuma criança falava inglês, e nós, os intercambistas, também não falávamos russo, foi difícil no começo, mas em nenhum momento isso atrapalhou a aproximação com as crianças. 

A comunicação não deixava de ser um desafio, mas tínhamos o manager do acampamento que falava um pouco de inglês e fazia a maioria das traduções para as crianças. No começo foi mais complicado, pois ainda não tínhamos nos adaptado à língua. Conforme o tempo foi passando, aprendemos a nos comunicar com eles e o diálogo começou a “fluir”. Todos tinham muita vontade de nos ensinar russo, aprender inglês e se comunicar de alguma forma, então, aprendemos a lidar com essa dificuldade.

Você usava de gestos para se comunicar com eles? Acabou aprendendo algo do idioma?

Sim, acabávamos usando muito de gestos para nos comunicarmos. Aprendi algumas palavras em russo, as básicas, como: “obrigada”, “de nada”, “com licença”, “por favor”, “bom dia” e “boa noite”, ainda lembro um pouco. Aprendi também o nome de alguns objetos e frases que me ajudavam no dia a dia. Por exemplo, spaciba (escrevendo como se fala) é “obrigada” e “com licença”. Pajausta é “de nada”. Dobra ultra é “bom dia” e dobra notche é “boa noite”.

Existem duas palavras para dizer “oi”, uma que é informal (e mais fácil de se pronunciar) e a formal. Priviet é informal, você pode usar quando é apenas apresentado a uma pessoa, além de ser a única que eu conseguia pronunciar bem. E, algo como strasvitche seria o “oi” formal. Sempre me diziam eu que estava pronunciando errado, apesar de ser igual ao que eles falavam (risos). Por fim, decidi que era melhor não me arriscar, fiquei com o “oi” informal. Outra coisa que aprendi e lembro é falar “tudo bom?” que é kaqu di lá?. Quanto às respostas, só aprendi a dizer harashô, que significa”bem” ou “ok”.

Os intercambistas

Quais eram as suas atividades diárias? O que os outros estrangeiros faziam?

Éramos em três intercambistas, eu, uma colombiana e um indiano, nossas atividades eram as mesmas, fomos monitores do acampamento, então as jobs não mudavam de uma pessoa para outra. Basicamente, tínhamos de 4 a 5 atividades diárias para realizar com os pequenos, não só com eles, mas também com os seus pais. Nos finais de semana, em geral, as famílias iam até o acampamento visitar as crianças. Pelo que pude entender, os pais mandavam seus filhos com os avôs para o acampamento de férias enquanto ficavam trabalhando.

Essa vocês conhecem!

Tínhamos liberdade total para criarmos nossa agenda, então, costumávamos trazer atividades típicas de cada país: danças, jogos, comidas etc. Ao longo da semana, também inseríamos atividades com as quais eles pudessem aprender um pouco de inglês.

 Você foi com algum tipo de bolsa?

Não fui com bolsa não. Grande parte dos projetos sociais que a AIESEC oferece tem alimentação e/ou acomodação pagas pela ONG/escola em que você está indo trabalhar, e este foi meu caso. Procurei vagas que ofereciam acomodação e alimentação, logo, meus gastos foram: passagem, seguro viagem, a taxa da AIESEC e gastos pessoais.

Onde você realizava as refeições? Onde você dormia? Foi confortável?

Eu e mais os dois intercambistas morávamos em um dos quartos do acampamento, éramos três dividindo um quarto duplo com banheiro, tudo extremamente confortável. As refeições eram feitas no restaurante do acampamento mesmo, junto com as crianças.

Quanto tempo você ficou no país? Foi fácil se adaptar?

Fiquei na Rússia por 6 semanas, a adaptação foi mais fácil do que eu imaginava; pensava que o choque cultural seria muito maior, mas não, os russos são bem hospitaleiros, o que facilitou a minha adaptação. Senti saudades, além da família e dos amigos, da comida brasileira. Lá eles não variam o cardápio, é só batata, sopa, carne, beterraba… e muito óleo! xD

O que mais te impressionou em relação à cultura local?

Acho que o que mais me impressionou foi a hospitalidade deles, pois era algo que não esperava. Os russos são muito calorosos e estão sempre dispostos a ajudar, por mais que eles não falem sua língua e também não estejam te entendendo!

Ensinando inglês

Algo curioso,e que estranhei bastante, foi que, pelo menos na cidade em que morei, eles não tem costume de comer com garfo e faca, apenas com garfo ou colher, utilizam a mão mesmo.

Você chegou a viajar para outros lugares dentro ou fora do país?

Na Rússia, tive a oportunidade de visitar apenas Moscou, que é maravilhoso!!! A cidade mais bonita que conheci até hoje, sério! Acaba saindo caro viajar dentro da Rússia por causa das longas distâncias, mas Moscou valeu muito a pena! Fui para a Espanha também.

Se pudesse, gostaria de ter outra experiência como essa?

Com certeza! Pretendo voltar para a Rússia um dia e já estou planejando meu segundo intercâmbio social, mas agora será para o Egito, provavelmente.

 O que você leva dessa viagem como lição para a vida?

Acho que o aprendizado de estar sozinha em um país diferente e com uma língua completamente diferente. É desafiador, algo que te põe a prova a todo momento. De cada dificuldade você tira um aprendizado, uma história, você acaba se surpreendendo, e no final é recompensador!

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