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Uma viagem pela Ásia, e mais do que ele imaginou fazer em seus sonhos

Jorge viajou pela Ásia durante sete meses, de dezembro de 2012 a julho de 2013

Jorge von Kostrisch atualmente é tradutor, se formou pela USP em relações internacionais em 2010 e é autor do blog Wanderlust Bug, que surgiu da viagem que ele fez pela Ásia. No final de 2012, Jorge decidiu experimentar algo novo e que sempre teve vontade de fazer: dedicar um bom tempo ao leve prazer de viajar. Durante os primeiros meses de sua viagem, ele fez um intercâmbio social e depois traçou um roteiro por diferente países da Ásia. 

Por que fazer mais do que um intercâmbio social? Depois de realizar trabalho voluntário, você esteve em uma infinidade de lugares. Quais os benefícios e diferenças de cada uma dessas experiências?

Desde sempre, fui fascinado com a ideia de viajar sem prazos, restrições de tempo, compromissos a cumprir ou outras obrigações – explorar o mundo em meus próprios termos, no meu próprio ritmo, e aberto às experiências e pessoas que cada lugar me proporcionasse. Deste modo, sempre esteve nos meus planos uma viagem prolongada e que passasse por muitos lugares. Ao mesmo tempo, reconheço que uma estadia maior em um único lugar é capaz de te oferecer uma visão mais profunda e diversa daquele país e daquela cultura, além da oportunidade de criar laços sociais, se inserir no modo de vida daquela população e fazer parte de um lugar. Por fim, também queria que minha viagem tivesse um aspecto social positivo, que eu deixasse algum lugar pelo menos um pouquinho melhor do que o encontrei. Foi para conciliar todos esses desejos que decidi começar com um trabalho voluntário por 3 meses, para depois iniciar um roteiro mais itinerante.

Quando se está parado em algum lugar, e especialmente se você assume algum papel naquela sociedade (como um trabalho voluntário), sua exposição ao real modo de vida local e à cultura dos nativos é muito maior do quando se está de passagem. É ali que o famoso choque cultural de fato acontece, que você é desafiado por coisas tão simples como uma forma diferente de encarar um simples “por favor”, “desculpe” e “obrigado”, por exemplo. Na família com a qual vivi na Índia, estas três expressões eram proibidas  – não se pedia “por favor” porque é obrigação da família atender suas necessidades; não se pedia desculpas, porque jamais alguém machucaria ou ofenderia alguém da família intencionalmente, razão pela qual qualquer ofensa era automaticamente perdoada sem necessidade de desculpas; e não se dizia “obrigado” porque não há favores entre a família, toda ajuda é parte da missão de vida de seus membros. A omissão de três expressões comuns trazia todo um novo entendimento de família e relacionamento, e estas coisas só aparecem com a convivência.

Quem foram seus principais conselheiros na hora de se decidir pelo roteiro da viagem? Você estipulava regras e seguia seus planos? Mudava de ideia de acordo com a experiência no local?

Muita gente me apoiou na ideia de viajar, mas o roteiro da viagem foi uma coisa bem minha mesmo. Eu decidi pela Ásia porque queria algo distante da minha realidade, pela história milenar, pela imensa variedade de lugares e culturas, e pelo preço. Além disso, sempre quis fazer um voluntariado na Índia. Saí do Brasil apenas com o plano de trabalhar em Calcutá, e com uma vaga ideia dos países que eu queria visitar, mas sem a menor ideia de que cidades e lugares visitar neles. Eu ia decidindo os próximos passos ao longo do caminho, e muitas vezes meus planos mudavam. No Nepal, havia planejado ficar uma semana, mas me apaixonei pelo país e acabei ficando um mês inteiro e escalando uma montanha, depois de conhecer e me juntar a um casal de americanos com experiência nisto. Eu procurei ao máximo não assumir compromissos (passagens aéreas, reservas de hotel, etc) que limitassem a flexibilidade do meu roteiro. Depois de um tempo, eu já chegava em cidades desconhecidas no meio da madrugada sem nem uma reserva de pousada, e tudo dava certo. Aprendi que em todos os lugares do mundo, os seres humanos têm as mesmas necessidades que você, e nunca será difícil (e muitas vezes será mais divertido) apenas deixar acontecer.

Uma experiência incrível: paragliding em Pokhara, no Nepal

Nessas condições, como fazer para não perder as contas e gastar mais do que o imaginado?

Este é um ponto delicado. Eu fiz uma estimativa de gastos diários antes da minha viagem e todos os dias anotava tudo o que gastava e comparava com o planejado. Se ultrapassava, segurava um pouco mais nos dias seguintes. É um exercício difícil, porque passei por 14 moedas diferentes, mas o planejamento ajudou. Acho importante, porém, não se prender demais ao orçamento quando oportunidades únicas aparecem  – como fazer o curso de mergulho na Malásia ou voar de paraglide no Nepal. Dinheiro se resolve depois, mas certas coisas só cruzam seu caminho uma vez. Com o passar do tempo, me acostumei a viajar usando apenas um mínimo, e parei de fazer um controle tão rígido – fui controlando apenas quanto dinheiro ainda tinha, e acabou dando certo. É só não exagerar, e a Ásia é incrivelmente barata.

Qual o lugar que mais te marcou nessa viagem, que você disse pra si mesmo que teria que voltar? Qual a história desse lugar?

É uma pergunta difícil, porque os lugares te marcam de maneiras diferentes. Tem o maravilhamento das grandes obras como o Taj Mahal, Angkor Wat, e a Shwedagon Paya (na Índia, Camboja e Myanmar, respectivamente). Há o embevecimento das belezas naturais, como os himalaias, as florestas dos Laos, as ilhas da Tailândia e da Malásia. Há as culturas incríveis como na Índia e na Indonésia. Acho que um lugar que eu preciso voltar é Myanmar. É o país com o conjunto da obra mais absolutamente impressionante, na minha opinião.

Shwedagon Paya, em Yangon

Há a Shwedagon Paya em Yangon e os templos de Bagan. Há uma comida surpreendente e única. E há um povo que é indiscutivelmente o mais simpático, amigável e acolhedor que já vi na vida (o que é dizer muito para os padrões do sudeste asiático – é difícil superar as pessoas do Laos e do Nepal neste quesito). Em cada restaurante em que eu sentava, pessoas me chamavam para suas mesas e me pagavam comida e bebida.  Não podia esperar um ônibus em pé, que pessoas, até senhoras, se levantavam para me oferecer o assento. Um amigo pegou alguns ônibus da capital até uma cidade próxima, e os nativos fizeram companhia para ele até o destino  – a cada vez que um nativo tinha de descer do ônibus ou seguir um caminho diferente, ele “passava” meu amigo para a responsabilidade de outro, de modo que ele sempre esteve guiado e acompanhado até o final. Myanmar também é o país da região, certamente por conta do isolamento político das últimas décadas, onde a cultura local está mais viva em termos de vestuário, costumes e culinária. Certamente voltarei lá.

O Hawa Mahal, Índia: esta estrutura com dezenas de janelinhas foi construída para que as mulheres da corte do Rajput local pudessem olhar para fora do palácio com privacidade e ver a vida na cidade rosa

Que tipos de costumes te surpreenderam durante a viagem? Em algum momento você sentiu necessidade de mudar sua maneira de se comportar para não ir “contra” a cultura local?

Muitas vezes. Minha “mãe” indiana, por exemplo, não admitia que eu lavasse a louça, ajudasse na casa, nem mesmo que eu mesmo me servisse de comida, já que todas estas tarefas são responsabilidades da mulher. É difícil para um ocidental se controlar neste tipo de situação, mas é necessário respeitar os costumes da cultura local. Para as mulheres, isto é particularmente verdadeiro, já que as culturas asiáticas tendem a ser bastante conservadoras, e os códigos de vestimenta e conduta para elas são bem rígidos.

Existe muita variedade de um país asiático para o outro em termos culinários? Alguma comida não te desceu? 

Típica refeição indiana: arroz, dahl e subzhi, tudo bem apimentado e comido com a mão

A Tailândia tem uma culinária absolutamente espetacular, tida como uma das melhores do mundo, muito rica em frutos do mar e sopas deliciosas. Entre as coisas mais estranhas que vi, está o ovo de pato cozido (eles deixam o patinho de desenvolver lá dentro até metade do caminho, depois cozinham e come-se os pedaços do feto com uma colher, com bico e tudo), uma iguaria comum no sudeste asiático continental. Na Tailândia é comum ver espetinhos de besouros, escorpiões e aranhas, geralmente caramelizados e crocantes.

Você enfrentou problemas para se comunicar com as pessoas nativas? Só o inglês é suficiente para fazer uma viagem como essa? 

Nunca passei dificuldade para me fazer entender – o inglês é bem suficiente na Índia, onde muita gente conhece o idioma. E também é fácil se comunicar em inglês com as pessoas que lidam com estrangeiros em qualquer país (atendentes de pousadas, taxistas, operadores de turismo, etc). A maior dificuldade está mesmo em entabular uma conversação com pessoas comuns – passei uma tarde inteira em um mercado popular em Bangkok procurando um presente específica pra minha família indiana, e nenhum dos lojistas falava uma palavra de inglês. No dia a dia, porém, acaba sendo engraçado, como um bêbado no Laos que tentava a todo custo conversar conosco, mas só conhecia duas expressões: “Thank you” e “Darling, I Love You”.

Quais as principais descobertas que você fez sobre si mesmo? Que tipo de coisas nunca tinha imaginado que fosse capaz de provar, sentir ou viver?

Acho que uma viagem é uma maneira de se expor a situações inteiramente novas, e desta maneira se forçar a usar aspectos da sua personalidade, conhecimentos e habilidades que jamais foram desafiados em seu país de origem. Esse exercício acaba por revelar e ressignificar muitos comportamentos, limites e traços que estavam escondidos da sua própria percepção, levando-o a entender melhor a si mesmo, e a compreender fatos passados de sua vida sob uma nova luz. Com reflexão, algumas destas descobertas se tornam lições. Eu aprendi, por exemplo, a  confiar mais na minha capacidade de resolver e me sair bem de qualquer situação inesperada, o que me fez abrir mão da ansiedade de controlar todos os aspectos da minha vida ou planejar cada passo, me abrindo mais à espontaneidade  – e descobrindo nelas novas oportunidades. Aprendi a aceitar mais as coisas e as pessoas como são, e não a tentar enquadrá-las no que eu desejaria que fossem. Cada curva da estrada está cheia de lições para quem mantém os olhos abertos.

Bagan, Myanmar

Entre as coisas inesperadas, acho que jamais tinha sonhado que fosse abraçar um tigre adulto na vida… Porém, acho que você descobre o inusitado em pequenos detalhes no dia a dia da viagem. Em Myanmar, por exemplo, passei uma noite em claro em uma viagem de 15h de ônibus de Yangon a Bagan, chegando no meio da madrugada a uma beira de estrada sem ninguém. Conheci uma médica inglesa que estava no mesmo ônibus, e juntos encontramos um carroceiro que aceitou nos levar até a cidade e à pousada por um preço. Fomos atrás da carroça com as malas, e chegamos antes do amanhecer na pousada, quando um grupo de estrangeiros estava saindo em bicicletas para assistir ao nascer do sol de cima de um dos mais de 3000 templos da planície de Bagan. Nos juntamos a eles, e no caminho fui conversando com essa média, que era hematologista, sobre seu trabalho, ela tratava crianças com leucemia, na Inglaterra. Conversar sobre leucemia com uma médica britânica, enquanto andava de bicicleta de madrugada nos confins de Myanmar, rumo a templo de mais de mil anos depois de andar de carroça? Nem em meus sonhos mais loucos.

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Correspondente das terras do Drácula

Marina Castro, estudante de jornalismo da ECA-USP, conta como está sendo seu intercâmbio na Romênia, onde vai passar ao todo sete semanas trabalhando como voluntária em um jardim de infância. Surpresa com a cultura local e peculiaridades como o excesso de cachorros nas ruas, ela fala das vantagens de se fazer uma viagem como essa e do aprendizado que o convívio com pessoas de outros lugares têm trazido para a sua formação pessoal.

Marina no jardim de infância em Cracovia

Marina no jardim de infância em Craiova

Quais as razões que te levaram a escolher a Romênia?

Os intercâmbios sociais da AIESEC são voltados para países em desenvolvimento, o que se resume, principalmente, à América do Sul, África, ao sudeste da Ásia e leste europeu. O meu plano inicial era ir para a Índia ou para algum país africano, mas meus pais acabaram não deixando. Mesmo assim, eu não desisti da ideia de trabalhar com crianças e os países do leste europeu tinham alguns dos melhores programas nessa área, então me voltei pra eles.

Vim parar na Romênia por dois motivos principais: gostei muito da ideia do meu projeto, que é o International Kindergarten, e gostei muito do comitê da AIESEC aqui. Todo mundo com quem eu falei me fez sentir que eles realmente queriam que eu viesse e isso fez toda a diferença.

Você pesquisou por outras alternativas antes de viajar com a AIESEC? O que te chamou a atenção na oportunidade de fazer um intercâmbio social?

Sei que isso não é muito aconselhável, mas tenho que dizer que não pesquisei quase nada. Tomei a decisão em um impulso mesmo, de repente pensei: sou louca pra fazer intercâmbio, por que não fazer um nessas férias? E foi isso. Tive a ideia conversando com um membro da AIESEC da USP, por isso não pesquisei sobre outros modos de fazer um intercâmbio social também.

Tem várias coisas que eu acho legais nesse tipo de viagem: o preço é bem mais baixo do que o de um intercâmbio “normal”, digamos assim, como passar dois meses estudando inglês na Inglaterra, por exemplo. Além disso, é uma oportunidade ótima de trabalhar com algo que você não faz no seu dia a dia. No meu caso, trabalhar com crianças em um jardim de infância, o que eu nunca tinha feito.

As atividades no jardim de infância

De segunda a sexta, as atividades no jardim de infância começam às 8h30

Além disso, vir pra cá sabendo que eu ia trabalhar me fez sentir que meu intercâmbio tinha um significado maior, não só pra mim, mas pra outras pessoas.

Como foram as boas-vindas do grupo de crianças?

Fui super bem recebida! Tanto pelo comitê da AIESEC de Craiova quanto pelas professoras do jardim de infância e pelas crianças. Encontrei pessoas maravilhosas desde o começo, mesmo na rua. Todas as vezes em que fiquei perdida, encontrei alguém pra me ajudar a chegar ao lugar que eu estava indo! Todo mundo me fez sentir bem-vinda e acolhida, o que é muito bom quando você está fazendo um intercâmbio.

Você trabalha com outros voluntários? De quais países?

As amigas voluntárias: da Eslovênia, Rússia e Hong Kong/Austrália

Voluntárias: do Brasil, da Eslováquia, da Rússia e de Hong Kong/Austrália

Eu moro no apartamento dos donos do jardim de infância, que receberam também outras voluntárias. Todas nós participamos do projeto e, por isso, nos hospedaram de graça. A princípio, eu morava com uma menina da Austrália e de Hong Kong, uma da Eslováquia, uma da Rússia e uma de Uganda. Agora, a australiana foi embora e a ugandense foi para outro projeto, então, estou só com a russa e a eslovaca. Mas já conheci gente da Grécia, da Espanha, da Macedônia e mesmo alguns brasileiros!

Qual a sua rotina na Romênia? Que atividades realiza com as crianças?

Eu e os outros voluntários vamos para o jardim de infância mais ou menos às 8h30, de segunda a sexta. Trabalhamos com cerca de 15 crianças, geralmente ensinando músicas simples em inglês, fazendo jogos para elas memorizarem os números, cores, nomes de animais… Também mostramos a elas um pouco dos nossos países, como as bandeiras, as comidas típicas, o clima. Tentamos fazer atividades que sejam divertidas.

Um dia, por exemplo, fizemos chapéus de princesa e de feiticeiro para todo mundo. Muitas vezes também ajudamos as professoras com as atividades que elas prepararam para as crianças. Ajudamos a recortar, a colorir, esse tipo de coisa.

De que maneira a diversidade de pessoas e costumes tem contribuído para o seu aprendizado?

Acho muito interessante saber um pouco mais da cultura de outros países, do que eles fazem de diferente em relação ao Brasil e, especialmente, acho que é bom para ser mais tolerante. Algo que considerado estranho por nós, brasileiros, pode ser comum na em outros lugares. No Brasil, por exemplo, a gente geralmente não tira os sapatos na casa dos outros, tipo, não é considerado muito “elegante” fazer isso. Mas aqui, na Romênia, é justamente o contrário. O seu sapato pode estar sujo e o “deselegante” é não tirar quando você entra na casa de outra pessoa. É bom ter que conviver com esse tipo de diferença para aprender a respeitar as pessoas e entendê-las melhor. Pessoalmente, tem sido um ganho cultural muito grande.

Marina e os amigos estrangeiros

Marina diz que o convívio com outros estrangeiros foi fundamental para se desinibir ao falar inglês

Durante a viagem, sentiu melhoras no inglês? É possível desenvolver bastante a conversação?

Senti melhoras, sim. Com os outros voluntários, aprendi palavras que não sabia e me “soltei” mais na hora de falar. Quando estamos falando uma língua estrangeira, é normal nos sentirmos um pouco acanhados, com medo de pronunciar palavras errado, e esse tipo de coisa. Mas depender do inglês todo dia é bom porque você perde a vergonha. Não importa tanto se está falando tudo certinho, mas se você consegue se fazer entender. Acho que já melhorei bastante meu vocabulário e meu modo de me expressar.

Chegou a aprender palavras em romeno? Quais são as principais dificuldades na hora de se comunicar com as crianças?

Aprendi algumas coisas, sim, mas coisas básicas. Sei falar “oi”, “tchau”, perguntar se está tudo bem, essas coisas. Aprendi os números e as cores também, as crianças me ensinaram! A principal dificuldade na hora de falar com elas é o idioma, com certeza. Elas não falam inglês e nós não falamos romeno, então tem muita mímica envolvida. Mas todos os dias alguém da AIESEC vai com a gente para o jardim de infância para servir de tradutor já ajuda bastante.

De todo modo, é um desafio conversar com alguém que não fala sua língua… É no mínimo interessante hahaha Ah, outra coisa: a maioria das pessoas não sabe, mas romeno é uma língua latina e tem muitas palavras similares ao português. Algumas são iguais mesmo, o que facilita na hora de tentar conversar. Se você falar italiano, melhor ainda, as semelhanças são maiores.

Como é a cidade em que você está? 

A cidade em que estou se chama Craiova, é pequena comparada com São Paulo, tem 300 mil habitantes. Isso foi meio que um choque logo que cheguei haha Não é uma cidade turística, como as cidades da Transilvânia, então, não tem muita coisa pra ver, mas eu gosto bastante daqui. É uma cidade tranquila, limpa, mas com inúmeros cachorros na rua. É impossível andar por Craiova sem topar com pelo menos um cachorro de rua. Mas eles não são agressivos nem nada, ainda bem.

O mais chama a atenção na cultura local?

Uma coisa que me chamou muito a atenção foi a quantidade de pão que as pessoas comem aqui! É sério, em todas as refeições eles comem pão, no café da manhã, no almoço, no jantar, no lanche… Parece bobo, mas fiquei surpresa!

Outra coisa que me surpreendeu foi o quanto as pessoas estão dispostas a te ajudar, mesmo não falando inglês. Não que eu estivesse esperando que todo mundo fosse ser mal-educado, mas desde que cheguei na Romênia encontrei pessoas muito calorosas, dispostas a me ajudar quando precisei de informações, simpáticas… Acho que posso dizer que os romenos são bem amigáveis!

Quais suas comidas e bebidas preferidas?

Gosto bastante de covrigi. São biscoitos que parecem pretzel, geralmente salgados, e muito gostosos! Gosto de mămăligă também, que se parece à polenta. Bebidas preferidas eu não tenho, porque a maioria tem álcool e eu não bebo! hahaha

No Castelo do Drácula

No Castelo do Drácula, onde estão guardadas peças históricas do mobiliário da última rainha romena

Você teve a oportunidade de viajar para outros lugares?

Passei uma semana viajando pela Transilvânia e conheci o castelo do Drácula hahaha É uma região muito legal, achei as cidades muito interessantes, especialmente Brasov, que fica bem perto do castelo de Bran (o do Drácula). Eu e as meninas que moram comigo também estamos planejando ir para Budapeste em um fim de semana, mas ainda não temos certeza se vai dar certo.

Que lições você vai levar dessa viagem?

Acho que são lições relacionadas a tolerância e adaptação. Viver num país bem diferente do meu, com pessoas que têm hábitos e criações diversas está sendo um desafio, mas também me ajuda a expandir meus horizontes, a ter a mente mais aberta, a julgar menos. Também tive que lidar com situações inesperadas e me virar, porque nem sempre um intercâmbio é como você imagina que vai ser, né? Então acho que é isso, esse intercâmbio está sendo bom para me conhecer e me desenvolver melhor.

Você teve alguma dificuldade de adaptação ?

Sinto saudade da minha família sim, mas não acho que isso tenha me prejudicado ou dificultado a minha adaptação aqui na Romênia. Talvez o fato de já morar longe dos meus pais há dois anos ajude, não sei. Mas me senti tão acolhida que não tive choque cultural nem nada do tipo. Minha adaptação foi bem tranquila. O maior problema foi mesmo o frio haha agora já está esquentando um pouco, mas acho que nunca cheguei a me acostumar com a temperatura negativa. Fora isso, tudo correu sem preocupações.

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O que se sabe dos canadenses e do Canadá

“O que eu mais gosto de Ottawa é poder andar de bicicleta, eu vou pelo canal e aí é aquela vista… Dá uma paz!”

Isabella Asato estuda farmácia na Universidade de São Paulo e está vivendo sua segunda experiência internacional, sendo que nas duas oportunidades escolheu o Canadá como destino. Sua primeira viagem foi em 2009, quando ela ainda estava no ensino médio e passou três meses em Vancouver estudando inglês. Agora, na faculdade, ela decidiu voltar à terra conhecida pelas “maple trees” participando do programa Ciência Sem Fronteiras.

Há três meses, Isabella chegou a Ottawa, capital do país, e conta como foi sua experiência com uma família nada canadense, porque prefere morar com brasileiros, a que horas você vai ter que voltar pra casa depois da balada, quais as vantagens e desvantagens da University of Ottawa (pelo menos na área de biológicas) e o que você pode não saber sobre o Ciência Sem Fronteiras, ou pior, sobre a criatividade dos canadenses no Halloween.

Quais as principais diferenças entre as duas viagens que você fez para o Canadá?

Foram bem diferentes, porque em Vancouver eu morava com uma família, então, não tinha tantas responsabilidades. Não tinha que cozinhar, lavar passar, não tinha que me preocupar com nada e eu era mais nova, acho que não entendia direito as coisas que estavam acontecendo e como você muda. Agora não, eu moro com mais quatro pessoas aqui e nós temos que fazer tudo sozinhos, você cria uma independência muito maior. Eu também sinto que tenho mais maturidade, por isso, é tão diferente.

A família com quem vivi a primeira vez era de Macau, que é uma ilha de colonização portuguesa, mas eles eram chineses. Faziam umas comidas totalmente estranhas e que eu nem sabia como eram preparadas, mas aí a gente comia, porque era o que tinha pra comer. Eu morava com mais uma estrangeira na parte de baixo da casa. Já em questão de higiene era ainda mais complicado, porque o problema era evidente para nós, sendo que pra eles parecia tudo normal (e era, são questões culturais). Mas nós dávamos um jeito, limpávamos nossa parte da casa; só que onde eles moravam ficava tudo sujo. Nunca aconteceu nada mais grave, eu não fiquei doente, mas deve ter aumentado a minha imunidade (risos).

Vancouver, 2009

Além disso, minha rotina agora é mais tranquila, porque quando estive em Vancouver eu tinha aula todo dia das 8 às 16 horas e em Ottawa, como eu faço só quatro matérias, consegui distribuir bem o meu tempo. A diferença também é que lá eu fazia só inglês e aqui estou fazendo matérias da graduação.

E as principais diferenças entre as duas cidades?

Vancouver é um lugar agitado, apesar de não ser maior do que aqui, tem mais cara de cidade grande, deve ser a maior cidade do lado oeste do Canadá. E Ottawa é a capital do país, mas falam que é a cidade mais entediante do Canadá também, eu não acho. Gosto mais daqui do que de Vancouver, porque a cidade é grande (para os padrões canadenses, porque não tem muita gente aqui, o Canadá não tem pessoas!!), mas tem cara de interior. Eu prefiro assim porque gosto de cidades mais tranquilas e aqui você tem bastante contato com a natureza, o Canadá em geral é assim. Só que em Ottawa você está no centro e daí vira a esquina e está no canal, que é lindo e do outro lado tem o parlamento. A vida acontece junto da natureza, mesmo você estando na cidade.

Você mora com brasileiros? Isso interfere muito no aprendizado do idioma?

Atrapalha um pouco porque a gente acaba não falando inglês. De vez em quando, tentamos até fazer uns tratos: “ah vamos falar só em inglês” e dá certo, só que, claro, de modo geral isso atrapalha pra desenvolver. Mas como temos aulas em inglês e estamos em contato com a língua o tempo inteiro, apesar de a gente não praticar tanto, eu ainda prefiro morar com brasileiros. É bom porque a gente não tem nenhum choque cultural dentro de casa. Alguns amigos que moram com pessoas de outras nacionalidades têm problemas, principalmente quando o assunto é higiene, mas são costumes diferentes, né? Não dá pra mudar a pessoa, porque é uma questão cultural. Assim a gente evita alguns atritos, apesar do lado negativo de não praticar tanto a língua. E tem mais cara de casa também quando as pessoas são do mesmo país, temos os mesmos hábitos…

Você está aproveitando a oportunidade para estudar francês também?

O francês eu comecei no Brasil, quando soube que eu vinha pra cá, porque Ottawa é uma cidade bilíngue. Na universidade tem cursos em inglês e em francês e está tudo escrito em duas línguas. Depois de chegar, resolvi fazer uma matéria em francês e continuo estudando, agora, na Aliança Francesa. Estou adorando, é uma excelente oportunidade e é possível praticar! Tenho aprendido bastante vocabulário, é comum ver as pessoas falando francês nas ruas. Dependendo do lugar, você chega falando em uma ou outra língua e eles te atendem normalmente.

Os canadenses são receptivos?

Eles são muito gentis, mas não são calorosos como a gente. Sempre estão dispostos a ajudar e são bem solícitos. Muito educados também, pra tudo é “por favor”, “desculpe”, “obrigado”. Já aconteceu de eu estar passando e ir entrar em um prédio e aí a pessoa segurar a porta até eu chegar. É inclusive um pouco esquisito, a pessoa ficou lá parada (risos), mas é a gentileza e isso faz a maior diferença, mesmo sendo coisas pequenas no dia a dia.

Outros traços culturais te chamaram a atenção?

Eu me considero tranquila, mas às vezes estou com os meus amigos brasileiros no ônibus e a gente percebe que ninguém além de nós está falando alto, dando risada, eles são mais contidos, na deles assim… Nada de chegar dando beijo e abraço, e às vezes a gente faz isso sem querer e as pessoas ficam olhando espantadas.

Aqui você anda na rua e ninguém mexe com você, nunca. Ninguém fica olhando, encarando, falando nada. Outro dia estava com os meus amigos e andamos por uns 40 minutos vindo do centro às duas horas manhã. Não acontece nada, não tem uma alma na rua também, mas é algo que você faz sem medo. Mesmo quando está escuro eu ando sozinha sem problemas. Não é como no Brasil que você tem medo de andar sozinha até durante o dia, aqui você tem mais liberdade pra ir aonde quiser. O conceito deles de “perigo” é muito diferente. Por exemplo, na faculdade tem um serviço que chama Foot Patrol, então, se você estiver se sentindo ameaçado (a) em algum lugar do campus, você vai lá e liga (tem telefones espalhados pela universidade) e aí alguém vai e te acompanha até em casa. Tem também algumas linhas de ônibus, que depois das 19h ou das 21h, param fora das paradas. Você pode pedir para o motorista não parar no ponto e ele para mais perto do lugar onde que você está indo.

O transporte é bom?

É sim, só quando neva que fica mais lento, mas aí não tem jeito, acaba atrasando. A velocidade diminui, tem que limpar a rua por causa da neve. Quando está cheio é aquele cheio: pessoas de pé. Em geral funciona bem, nos pontos tem os horários de cada ônibus e se passa com atraso é um atraso bem pequeno. Além disso, os ônibus tem GPS e você consegue saber se o seu está perto, a que horas vai chegar. Em Ottawa só tem ônibus, não tem metrô. A gente vê que as pessoas ao invés de usarem carro usam transporte público, o que diminui o trânsito e sem trânsito é possível chegar a tempo nos lugares. Além dos ônibus, as pessoas usam bastante bicicleta no outono e na primavera. Eu vou de bicicleta pra faculdade, comprei uma aqui e vou pelo canal, ele é bem logo e tem uma ciclovia em volta.

“Aquela vista no caminho para a faculdade”

Quando eu vou de ônibus são uns 15 minutos até a faculdade. Tenho um passe da universidade que dura o ano inteiro, dois semestres de curso, e a gente pode usar o transporte o quanto quiser. O valor foi pago pelo CNPq, são 360 dólares mais ou menos pelos 8 meses. No verão vamos ficar sem, porque não vamos mais estar com a bolsa. São oito meses de curso e quatro de estágio. Os últimos quatro a gente não tem esse apoio no Ciência Sem Fronteiras.

Você já sabe onde vai estagiar?

Não, eu preciso começar a procurar. Quero um estágio na indústria farmacêutica e os processos começam no início do ano, eles vão selecionando em janeiro e lá pra março você tem uma resposta. Também tem a opção de fazer estágio de pesquisa na faculdade, o que eu acredito que seja mais fácil de conseguir porque eles têm muitas pesquisas e muitos campos de estudo. Caso eu consiga mesmo na indústria, talvez eu mude de cidade, agora, se for na universidade, fico em Ottawa.

Esses estágios são remunerados?

Se eu arrumar o estágio na indústria preciso pedir o cancelamento da bolsa e fico só com o que eu ganhar, mas caso eu faça na faculdade o estágio não é pago, daí eu continuo com a bolsa do CNPq. Se você não arrumar o estágio, é preciso justificar o porquê e,então, eles cancelam a sua bolsa e você volta para o Brasil caso o recurso seja aceito, mas é difícil de você não conseguir. Você pode não querer e tentar indeferir sua bolsa no final, mas é só com a condição de eles aprovarem. As bolsas são pagas pelo CNPq ou pela CAPES.

A cidade é muito cara?

Aqui em Ottawa às vezes a gente acha a comida um pouco cara. Legumes, frutas e verduras são bem mais caros, porque é tudo importado. O resto costuma ser mais barato que no Brasil e eu acho que com Vancouver é parecido. Por exemplo, um pão de fôrma barato pode custar uns $ 2,10, mas chega a até $ 4. Pra economizar, comemos em casa. Na faculdade não tem um restaurante universitário, só fast food, o que é caro. Por isso, se a gente vai ficar lá no período da tarde acaba levando comida. São vários os microondas espalhados pelo campus e tem lugares pra você comer. Dá pra levar comida e esquentar tranquilamente e isso o que a maioria das pessoas faz.

Poutine

Poutine

Você tem algum prato preferido?

A cozinha canadense não é muito marcante, mas eu gosto de um negócio que é muito típico, o poutine. São batatas fritas com um molho e queijo. Tem também um outro que é o beavertails que parece uma rabanada, é frito.

De que maneira o intercâmbio está contribuindo para seu crescimento pessoal e profissional?

Eu estou descobrindo coisas sobre mim que eu não sabia. Sempre me achei organizada, mas nem tanto em questão de arrumar as coisas, só mentalmente mesmo. Mas aqui eu descobri que sou muito mais organizada do que eu achava que eu era. E é assim, você vai descobrindo novas coisas no dia a dia, porque é obrigado a se virar sozinho, não tem ninguém pra cuidar de você. Eu estou aprendendo a cozinha, pra felicidade da minha mãe… (risos).

Em relação à faculdade, eu percebo que os professores gostam muito de dar aula, são sempre muito prestativos e apesar de serem pesquisadores, eles não estão lá só pra fazer pesquisa. Estão dispostos a ensinar, tirar suas dúvidas, deixam os horários que eles estão disponíveis pra você ir na sala deles, respondem e-mail, ficam lá depois da aula. Então, é uma atenção que não é tão comum na USP, pelo menos com os professores que eu já tive.

Agora, falando de um lado positivo da USP, eu acho que as aulas lá são mais fortes. Aqui no Canadá, tem mais coisas pra você fazer: trabalhos, exercícios, apresentações, mas as matérias não são tão aprofundadas e tão difíceis quanto na USP. Você estuda bastante porque tem bastante coisa pra estudar, mas não é super difícil, pelo menos não nas biológicas, que é minha área. No início, eu até larguei uma matéria porque era muito básica, apesar de ser considerada disciplina do terceiro ano aqui (parecia matéria de ensino médio no Brasil).

Como é a organização do campus?

Aqui eu tenho aula de farmácia no prédio de artes, tenho inglês no prédio de engenharia, é tudo meio misturado, então, você não consegue distinguir muito bem os grupinhos e a identidade de cada faculdade. Não é tão separado como acontece no Brasil, aqui os alunos fazem algumas matérias básicas, mas precisam se inscrever em disciplinas de outros cursos para se formar, eles não têm turmas fechadas como na USP, é tudo misturado.

Parlamento canadense, planeje sua visita

Quais são as principais atrações da cidade?

Tem os jogos de hockey, eu fui em um da faculdade, é bem legal. Mas a atração principal da cidade é o parlamento, eles fazem tours, o prédio é lindo. Também tem muitos museus aqui e muitos festivais, mas não peguei nenhum ainda. Existe quem considere Ottawa uma cidade tediosa, mas tem bastante coisa pra fazer sim. Só acho que as coisas fecham muito cedo, até a balada! Fecham duas horas da manhã e em São Paulo a essa hora é que a festa está começando a ficar boa (risos). Pensando positivo, é bom porque você chega cedo, daí ainda dá pra aproveitar o dia seguinte. Para os curisos, a idade mínima pra entrar nas baladas é 19 anos. Eles olham o documento, mas nem revista tem. A última vez que eu fui rolou uma brigazinha, mas até a briga é ordenada, vi umas pessoas sendo colocadas pra fora. Mal deu tempo de a pessoa brigar e ela já estava sendo retirada (risos).

Você chegou a participar do Halloween?

Brasileiros prontos para sair de casa

Sim, foi bem legal, as criancinhas saem pra pedir doce e de manhã você já vê todo mundo fantasiado no meio da rua. Até no ônibus, pra ir no trabalho, na faculdade. Até o pessoal mais velho se fantasia pra ir nas festas, daí a gente resolveu entrar no clima e fomos em uma comemoração também. Tem umas fantasias super elaboradas, tinha uma menina que estava de Barbie dentro de uma caixa e o namorado dela estava de Ken na outra caixa. Eles pensam na fantasia o ano inteiro! Tiveram também uns “zombie walk” correndo pela cidade e organizaram uma corrida beneficente em que se os organizadores te pegassem você virava zumbi também. Eu adoro o Canadá, depois de ter vindo a primeira vez eu queria voltar. Agora eu voltei e sei que assim que for embora mais pra frente vou querer vir de novo!

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“Você corre o risco de se apaixonar”

Pela Espanha, pela experiência dessa estudante, pela ideia de fazer um intercâmbio!

Ingrid Matos Rocha Bezerra Alves decidiu aceitar o desafio de conhecer um novo país e escolheu a Espanha para viver a sua aventura. Ela estuda relações públicas na Universidade de São Paulo e foi para Málaga sem medo de se descobrir e se apaixonar por todas as novas experiências que a viagem tem lhe apresentado.

Ingrid chegou à Espanha no segundo semestre de 2013

Por que você escolheu a Espanha para fazer intercâmbio?

Escolhi a Espanha, porque era um país que sempre tive vontade de conhecer, além de já ter mais facilidade com o idioma, pois fazia aulas de espanhol há três anos antes de vir. Outro fator importante foi a cultura e a paixão por cidades, principalmente, da região de Andalucia como Sevilla e Granada. Além disso, quando finalmente decidi que era o momento certo de fazer intercâmbio, comecei a procurar quais faculdades da Espanha eram boas em comunicação e finalmente fiquei em dúvida entre Madrid e Málaga, mas observei as grades de ambas e me apaixonei pela Universidad de Málaga (UMA), que oferece um curso de Publicidade e Relações Públicas juntos, enquanto a Universidad Carlos III, de Madrid, não tinha o curso de Relações Públicas.

Você está gostando das aulas da universidade? São muitas as diferenças em relação à ECA?

Eu sou simplesmente apaixonada pelas matérias que escolhi nessa universidade, mas o fato é que as universidades espanholas têm um volume muito maior de trabalho e provas do que a ECA, por exemplo. E, além disso, tenho aulas práticas de todas as minhas matérias durante 1h por semana, o que faz com que não tenha nenhum dia de folga, vou para a faculdade tanto de manhã  quanto a tarde, mesmo fazendo “só” quatro matérias este semestre. O ensino também é diferente, não sei dizer se melhor ou pior, mas diferente, eu gosto muito dessa obrigatoriedade de todas as semanas ver meus conteúdos na prática, penso que essa é uma ótima forma de consolidar alguns termos, técnicas e teorias em minhas práticas profissionais, além disso, as aulas teóricas não são “obrigatórias”, mas estão sempre cheias mesmo não tendo lista (acho isso realmente incrível porque infelizmente na ECA eu vejo que muitos alunos só vão por causa da chamada). Outra coisa de que gosto muito é a plataforma virtual deles, que se chama “campus virtual” onde os professores colocam todo o conteúdo das aulas: slides, textos pra ler, trechos de livros, vídeos, fotos e uma série de outros materiais que dão suporte contínuo ao aprendizado. Praticamente todas as entregas de trabalho também são feitas online.

Como você avalia seu crescimento no aprendizado do idioma? Além das aulas da faculdade, o que mais tem te ajudado a evoluir nos estudos do espanhol?

Em relação ao meu aprendizado do idioma, eu realmente acho que evoluí muito, hahaha é como viver o Darwinismo na prática, seleção natural, sabe? rs Se você não se esforçar ao máximo pra se sentir a vontade com o idioma, os espanhóis não falam muito com você (eles realmente não são simpáticos, são educados, mas na maior partes das vezes não são simpáticos) rs rs. Uma coisa que me ajudou muito foi o curso intensivo de espanhol que fiz 20 dias antes do início das aulas, é um curso pago, mas organizado pela própria universidade para estrangeiros, eu realmente fiquei muito satisfeita de ter feito este curso, os professores eram excelentes! Fiz uma prova de nível, tinha 2h de aulas de gramática todos os dias e mais 2h de expressão oral e leitura e escrita em espanhol, amei as aulas e amei mais ainda os amigos estrangeiros que fiz nesse curso, eles são as pessoas com quem mais convivo até hoje (estou há 3 meses aqui em Málaga). Além do curso, ir ao cinema, assistir aulas, ler muitos livros e conteúdos todos os dias em espanhol, e ter companheiras de apartamento que só falam comigo em espanhol, também tem sido fatores imprescindíveis para o meu crescimento no idioma.

Que festa ou evento cultural mais te chamou a atenção até agora? Por quê?

Mater Dei – Málaga

Tem um evento aqui que se chama “Mater Dei”, que me emocionou muito, principalmente porque sou católica. A Espanha ainda preserva suas tradições e ainda é muito católica. Nesse dia, eles fizeram uma procissão com 7 imagens diferentes da Virgem Maria, que foi passando pela cidade de Málaga e reuniu muita gente nas ruas, o que me fez ficar surpresa e extasiada. Aqui, um grande número de pessoas têm muito respeito pela Nossa Senhora. Outra coisa muito legal foi um desfile de moda que expôs as coleções dos melhores estilistas espanhóis em uma rua muito bonita que tem aqui no centro (foi quando eu me senti finalmente na Europa rs).

Que lugares você já conhece? Qual o seu destino preferido?

Devido ao ritmo difícil na faculdade ainda não consegui sair muito daqui, então, dei prioridade nesses primeiros meses para conhecer a Espanha, o que sempre foi um sonho meu: poder conhecer todas as cidades, (mas estou vendo que ainda não será dessa vez que vou conhecer tudo, rs). Já fui pra 4 cidades espanholas (Córdoba, Sevilla, Toledo e Madrid), uma cidade do Reino Unido que se chama Gibraltar e Lisboa, em Portugal. Até agora, eu amei cada cidade de um jeito diferente e por motivos diferentes, mas Madrid realmente excedeu totalmente as minhas expectativas, achei que era como São Paulo: muitos prédios, industrialização, trânsito etc, mas sinceramente não é. Madrid é fantástica, tem uma mescla linda e harmoniosa entre urbanização e história e Sevilla é uma cidade sem adjetivos de tão linda que é!

Gran Vía – Madrid/13

Plaza de España – Sevilla/13

Como tem estado o clima?

Em relação ao clima, eu cheguei no verão, então, Málaga estava perfeita, penso que vi sua melhor fase. Essa cidade é conhecida como “Costa del sol” e é realmente uma cidade linda, com praias bonitas e um pôr do sol pelo qual eu me derreto só com lembrar de tão lindo que é. Todos os dias o céu tem tons de cores diferentes, é uma coisa fora do comum! Nessa época, enfrentei temperaturas como 34 graus, mas, agora, com a chegada do inverno, está mais frio do que imaginei, as temperaturas ficam entre 6 e 12 graus à noite. No comecinho da manhã, não chega a fazer um frio de nevar, mas por ser uma cidade que tem praias o ar é muito úmido, logo, a sensação térmica sempre é menor do que o que mostram os termômetros.

Vista da janela do meu apartamento – Málaga/13

Vista da janela do meu apartamento – Málaga/13

Os espanhóis foram receptivos? Você tem se sentido acolhida?

hahahaha É…. Não…. eu achei que por ser uma cidade de Andalucia, que todos me diziam que era uma região da Espanha onde as pessoas são mais receptivas, eu seria muito bem acolhida, mas sinceramente eles sempre foram muito educados, mas não simpáticos ou acolhedores, pelo menos não a maioria. Claro que agora tenho amigas espanholas que são maravilhosas, mas foi difícil de encontrá-las rs. Acredito, realmente, que seja uma questão cultural, os espanhóis precisam ser “conquistados”. Até eles te conhecerem, saberem como você é em termos de responsabilidade, comprometimento, valores etc, eles não te dão tanta abertura. Compreender isso fez as coisas melhorarem muito, porque parei de achar que o problema era comigo.

Quais as principais expressões ou gírias que eles usam? Qual o significado delas em português?

Hummm vamos ver, eles falam coisas como:

Que guay! = que legal

Que chulo = é como “que bonito”, mas se eles usam “ella es muy chula” é algo pejorativo

“No pasa nada” = não tem problema, não se preocupe

“Porfa” = por favor

“Vale” = é como “ok” e eles usam muuuito! Para tudo!

“Oye” = é como “Olha”

“Irse de tapas hoy” = sair pra comer e beber alguma coisa

O que você recomendaria que um estudante estrangeiro colocasse na bagagem?

Eu recomendaria que se trouxesse um pouco de tudo, de verdade. Todos me falaram pra não trazer muita coisa, mas a maioria das companhias aéreas nos deixa trazer duas malas de 36kg e eu só trouxe uma grande e outra pequena. Me arrependi muito porque trouxe poucas roupas de verão, já que, teoricamente, o versão acabaria 20 dias depois da minha chegada. Assim, acabei tendo que comprar roupas de calor e não achei aqui nenhum shorts que não fosse muito curto, o que me fez ter que recorrer ao envio por correio de 3 shorts do Brasil pra cá (o que foi caríssimo).

Eu sugeriria também que você trouxesse roupas de que não gosta tanto, porque se precisar deixá-las para levar coisas que você comprou nas viagens, talvez, seja menos triste rs. Outro conselho importante é: não traga mais do que um livro, primeiro, por causa do peso e, segundo, porque você comprará livros aqui, são muitas as ofertas e você estará focado em aprender o idioma. Além disso, não traga tantos sapatos, traga algo confortável, como estudante ou turista você só precisa de conforto.

Você já passou por alguma situação difícil ou inesperada?

Passei por uma coisa um pouco chata com minha professora de fotografia, que inventou que tinha uma regra na faculdade que limitava o número de estudantes estrangeiros por turma. Segundo ela, só seria possível aceitar 5 Erasmus por grupo (Erasmus: pessoas que fazem intercâmbio e que são da Europa, mas a verdade é que na maioria das vezes nem fazemos essa distinção, nos chamamos de “Intercambistas”, assim, de uma forma geral). O fato é que tinham 12 Erasmus interessados em se inscrever na aula e ela demonstrou claramente que não queria tantos estrangeiros na matéria dela. Tivemos que ir até o departamento de Relações Internacionais para eles finalmente resolverem a situação com essa professora e ela foi obrigada a nos aceitar. 

Também tenho uma dona de apartamento louca, que não faz contrato de locação de espaço e que me pediu dois meses de fiança (quando o normal é só um… descobri isso depois que já tinha me apaixonado pelas minhas companheiras de piso). No começo, foi chato e discuti com a dona, porque as regras eram muito particulares e ela queria que nós cumpríssemos, mas aos poucos nos entendemos bem e hoje essa sensação de ódio já passou rs (só que, por favor, não cometa o mesmo erro que eu, alugue um apartamento com contrato e com tudo previamente acordado entre as duas partes, não se desespere se na sua primeira semana você não tiver onde ficar, é melhor procurar e escolher bem do que depois ter que discutir com alguém em outro idioma que não é o seu. Eu realmente tive sorte de morar com pessoas maravilhosas e, por isso, não saí logo em seguida.

Quais os seus pratos preferidos? E bebidas?

Bom, tem uma coisa aqui que chama “pisto”, que são verduras feitas com molho de tomate, simplesmente maravilhosas! Também gosto de berinjelas com mel, uma das “tapas” mais comuns aqui. Sem falar que tem muitas coisas feitas com camarão, além das “paellas” de mariscos,  de frango e de tudo que se possa imaginar. Quanto às bebidas, a coisa mais tradicional é o “tinto de verano”, que é como um vinho com gás, eu não gosto, porque não gosto de bebidas, muito menos de vinho rs, mas tem muita gente que ama e bebe isso como água, ou seja, todos os dias.

Foi possível perceber os efeitos da crise?

Sinceramente, essa foi uma das coisas com que fiquei mais indignada aqui, todos falam da crise, mas não vejo como ela realmente se dá na prática, não acontecem muitas manifestações, os restaurantes e bares continuam sempre muito cheios, os espanhóis continuam fazendo sua “siesta” todos os dias das 14 às 17 horas e, no geral, vi poucos estabelecimentos fecharem.  Leio nos jornais sobre crises com bancos e com alguns estabelecimentos que já não veem tanto mercado, como copiadoras, empresas de revelação de fotos, “fruterias” (tem muitas lojas de frutas aqui em Málaga) e também vi duas manifestações contra a demissão de professores universitários, mas sinceramente a crise em Portugal está 10x pior.

Você mora com pessoas de qual nacionalidade? Como esse intercâmbio cultural tem contribuído para sua experiência pessoal?

Moro com uma francesa que toma banho todos os dias inclusive mais de uma vez (rs só para de uma vez por todas desfazer este estereótipo que eu infelizmente também tinha) e com duas alemãs (que também não comem só carne, pelo contrário, são as pessoas que se alimentam da forma mais saudável que já vi). Eu amo viver com elas, é realmente a minha família daqui, trocamos muitas experiências: que vão desde dificuldades com o idioma, com os trabalhos até descobertas sobre como é o natal em nossos países, pratos típicos, relacionamentos, enfim, somos muito amigas (graças a Deus). E eu realmente aprendo muito com elas, não só com elas, como com todos os outros amigos estrangeiros com quem convivo, que realmente me fizeram ver que o mundo é incrivelmente maior do que eu imaginava e que as diferenças culturais são gritantes, mas por outro lado enriquecedoras e encantadoras.

Minhas companheiras de apartamento – Málaga/13

O que você diria para um estudante que tem vontade de fazer intercâmbio, mas não se decide por insegurança de estar longe de casa, da família, dos amigos, namorado (a)?

Bom, um conselho? Se você quer crescer profissionalmente e pessoalmente saia da sua zona de conforto! O mercado te pedirá isso todos os dias e a vida te exige isso constantemente, o intercâmbio ao invés de dificultar sua vida te ensinará isso com dificuldades, mas também com recompensas inesquecíveis.

Se você está na faculdade essa realmente é a hora de experimentar outras faces da sua profissão, há muito para se olhar e  admirar no mundo e na sua carreira, realmente você pode se surpreender com os rumos que sua vida pode levar, inclusive, te dando dúvidas angustiantes e certezas que podem mudar tudo. Não tenho como garantir que uma experiência assim pode ser tão vantajosa pra você como está sendo pra mim, eu realmente sinto muitas vezes que deixei muitas coisas importantes pra trás como minha família, meu namorado, meus amigos e o meu país (sim, hoje eu amo o Brasil mais do que qualquer outro país no mundo), mas é graças a essa experiência que hoje sei que eles são “uma das coisas mais importantes”, se não as mais importantes. É preciso às vezes olhar de fora para amar o que temos, é claro que amo muitos aspectos da minha nova rotina, meus novos amigos e essa nova cultura, mas hoje eu sei que as pessoas mais importantes da minha vida sempre estarão torcendo por mim, pelo meu crescimento e pela minha volta. Então, viva isso, você realmente corre o risco de se apaixonar!

Fotos por Ingrid Matos Rocha Bezerra Alves

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Alemanha: um destino perigoso

Lucas Moraes Pinheiro é estudante de engenharia mecatrônica na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e viajou no primeiro semestre de 2013 para a Alemanha. Lá ele cursou algumas matérias da área na Technische Universität München (TUM) e conta para nós os motivos de querer voltar pra lá, talvez logo, se possível, para ficar.

Boas-vindas geladas

Por que você escolheu a Alemanha para fazer o seu intercâmbio?

Em grande parte, por causa das oportunidades, tanto de estudos como para futuros empregos. A Alemanha é um país que possui grande avanço tecnológico, principalmente na minha área de estudos (Engenharia Mecatrônica). Como já havia feito curso de inglês, decidi começar o curso de alemão logo que entrei na faculdade. E disso surgiu o segundo motivo: passei a conhecer e me interessar pela cultura alemã, o que me deu vontade para continuar com os meus estudos do idioma e ir para a Alemanha de fato.

Foi necessário obter um visto?

Somente depois de já estar lá. Brasileiros e estrangeiros de algumas outras nacionalidades têm o prazo de 3 meses a partir da data de chegada no país para realizar o processo de obtenção do visto. Antes disso só é necessário registrar o local de moradia, mesmo que a estadia no endereço seja curta.

Por quanto tempo você estudou alemão antes de ir para lá?

Durante 3 anos. Mesmo assim tive que fazer mais um intensivo para poder compreender as aulas melhor, mas isso varia muito de pessoa para pessoa. Conheci inúmeros brasileiros com os mais variados graus de compreensão do alemão. Um amigo meu chegou a estudar apenas 7 meses, sozinho. Incrivelmente, ele era a pessoa que melhor falava a língua.

O que você mais te atrai na cultura alemã?

Cerveja alemã, sempre em doses singelas

O que mais me chamou a atenção e mais me faz falta é a organização característica deles. Isso é perceptível no dia-a-dia: tudo funciona do jeito e no horário corretos.

Quais são suas comidas e bebidas alemãs favoritas?

São coisas bem típicas: o Schnitzel, o Strudel de maçã… e, é claro, a cerveja!

Onde você morou? Em que época do ano você chegou ao país?

Eu morei num conjunto de apartamentos próprios para estudantes. Cada quarto possuía uma pequena cozinha e um banheiro. A localização era boa, no meio do caminho entre o centro de Munique e o campus onde eu estudava. Fiquei lá durante o primeiro semestre (chamado de semestre de verão) de 2013. No começo do semestre chegou a nevar (principalmente durante a época do curso intensivo de alemão), e depois o clima esquentou um pouco. Mas verão de verdade, só durante cerca de um mês e meio, mais para o final do semestre.

Departamento de Engenharia Mecânica da TUM

Você recomenda a universidade em que foi estudar?

Eu estudei na Technische Universität München (Universidade Técnica de Munique). Com certeza recomendo a TUM! Lá me foi oferecido todo tipo de apoio, até mesmo moradia (embora isso não seja tão comum, e eu tenha achado outro lugar mais interessante). Há também programas de tutores para estrangeiros, cursos intensivos de alemão (e várias outras línguas), palestras e passeios logo antes do começo do semestre para conhecer a faculdade e a cidade, entre outras oportunidades, como esportes.

Como foi sua recepção por parte dos alemães?

No geral a recepção foi boa. Sempre tem alguém que te olha torto, mas isso ocorreu raríssimas vezes, e nunca fui desrespeitado nem ofendido. Porém é bom lembrar que os alemães são um tanto mais frios que os brasileiros, o que chega a assustar um pouco no começo.

O que você recomendaria que um estudante estrangeiro colocasse na bagagem?

Dependendo da época do ano é bom levar agasalhos, mas não exageradamente (provavelmente vai ser preciso comprar algo que aqueça melhor por lá mesmo).

Qual foi a experiência mais difícil que você viveu durante o intercâmbio?

Não houve nenhum evento pontual complicado… acho que a primeira semana foi mais difícil. Tive que acertar vários documentos, me acostumar com a cidade, com o frio. Por outro lado, foi a semana que mais me marcou, exatamente por ter sido tão intensa, e pela emoção de ter chegado lá.

O que você acha dos preços na Alemanha?

No geral é tudo bem caro, inclusive nos mercados. Tínhamos um lema, que reflete bem a situação: “Quem converte, não se diverte!”. Poucas coisas eram mais baratas que aqui no Brasil, como os aparelhos eletrônicos.

Castelo em Heidelberg, cidade situada no vale do rio Neckar

Quais os lugares que você mais gostou de visitar?

Dentro da Alemanha (e sem contar Munique), os melhores passeios que fiz foram para Berlim (tem muita coisa para se ver na cidade inteira) e Heidelberg (por causa do castelo em ruínas). Viajei também para a Itália (Roma, Florença e Pizza), o que foi um excelente passeio!

Você tem vontade de ir morar na Alemanha definitivamente?

Sim, mas talvez somente daqui a alguns anos. A grande diferença que me faz querer voltar é a tranquilidade de saber que as coisas de fato funcionam. É uma questão bastante cultural. Se no fim eu acabar morando no Brasil mesmo, quero incorporar nas minhas ações mais do comprometimento alemão.

Alemanha: quem vai, não quer mais voltar pra casa 😦

Marina: “Meu pequeno alemão trazido de Munique”

Especial: outras cenas desse capítulo

A autora do blog:

– Lucas Moraes Pinheiro tem 22 anos, é um rapaz inteligente e muito gente boa… Ele também é meu namorado hahaha Viajamos durante o mesmo período para o exterior, uma decisão difícil, mas que valeu a pena. Quer saber mais sobre essa história? Tudo bem, eu conto.   🙂

Para ler, basta clicar aqui!

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México e Colômbia, parentes próximos?

A mexicana Andrea Guadalupe Gutiérrez Vargas é aluna de jornalismo da Universidad de Guadalajara e apesar de estar terminando a graduação não quis perder a chance de fazer um intercâmbio. Esse semestre, ela foi para a Colômbia estudar na Universidad del Norte. A estudante estrangeira está vivendo em Barranquilla e em entrevista para o Viaje.mx conta quais as principais semelhanças que, na opinião dela, aproximam os dois países.

Já sem o “sombrero” mexicano

Por que você escolheu a Colômbia?

Porque a situação do país é muito parecida com a do México, sem falar que me interesso pela cultura colombiana. Os dois países têm muitas semelhanças, principalmente, em relação ao narcotráfico. A história que se formou em torno de Pablo Escobar na Colômbia é quase a mesma que temos no México com o conflito do governo contra o narcotráfico.

Com relação ao desenvolvimento local, o que mais te chamou a atenção?

O desenvolvimento é considerável, mas acredito que o governo precise demonstrar mais interesse pelo povo. Pelo menos em Barranquilla, existem muitos problemas acerca dos rios que se formam em temporada de chuvas, esses arroios deixam centenas de mortos todos os anos. Considero que o governo deveria agir mais ativamente e buscar alternativas para evitar essas mortes. Acredito que o México e a Colômbia vivam realidades muito semelhantes, sendo que as dificuldades apresentadas por um são as mesmas do outro e vice-versa.

O visto é obrigatório para entrada no país?

Sim, precisei tirar visto de estudante. O visto é necessário para todos que decidam ficar na Colômbia por mais de 3 meses. Tive muito trabalho para conseguí-lo já que sou de Guadalajara, Jalisco, e os trâmites precisavam ser feitos no Consulado da Colômbia que fica na Cidade do México, de ônibus o trajeto dura até 8 horas. Tive que ir pela noite para chegar no dia seguinte ao Distrito Federal às 6am. Esperei até as 8am até que o Consulado abrisse. Tive que correr pela cidade para trocar o dinheiro mexicano por dólares, porque essa era a única maneira de realizar o pagamento do visto. Faltaram dois documentos e eu acabei procurando um cyber para pedir ajuda à minha família. Os trâmites para tirar o visto colombiano me custaram mais ou menos 800 pesos mexicanos. A universidade me ajudou explicando quais eram os requisitos, mas realmente fui eu quem tive que correr atrás dos papéis, localizar o consulado no DF e também pagar a conta. x)

O que mais te atrai na cultura colombiana?

A comida, as pessoas, os povoados, o café, tudo no geral. A músicas que mais se escutam são: a champeta, vallenato, salsa e cumbia, mais comuns na costa.

Quais são suas comidas preferidas? E bebidas?

Chuzo desgranado

Minhas comidas preferidas, até agora, são o arroz de coco e o chuzo desgranado. Minha bebida favorita é o suco de corozo.

O arroz de coco se prepara com a fruta natural, que deve ser colocada no liquidificador com água. A mistura deve ir a fogo lento, o arroz ganha o sabor do coco e fica delicioso e um pouco tostado. O chuzo desgranado é um prato da costa, preparado com bollo (massa branca, previamente cozida), batata-palha, carne, frango, linguiça, alface e queijo, com molho rosado e marmelada de abacaxi. O corozo é uma fruta meio vermelha ou roxa, que parece uma uva, mas é menor. Tem um pequeno caroço dentro e é muito ácida pra se comer assim pura.

Em que bairro você mora?

Moro em um bairro que se chama Nogales e que fica a 15 min da universidade, de ônibus.

A cidade te pareceu segura?

Barranquilla é como qualquer cidade grande, tem horas de pico em que o trânsito fica bastante carregado e tem muitos ônibus trafegando também. Pelo menos pessoalmente não me aconteceu nada desde que cheguei aqui, mas as pessoas te dizem para não dar muita confiança para os outros, já que se trata de uma cidade grande e é importante ter precaução.

Quando você chegou ao país? Como tem estado o clima?

Cheguei dia 11 de julho e o clima é “tremendo”, estamos na maioria do tempo a 30º. O clima é úmido, se sua o tempo inteiro.

Uninorte, em Barranquilla

Você está gostando da universidade?

Eu gosto muito da universidade daqui, são oferecidas várias atividades e o espaço é enorme. É possível fazer esportes e realizar atividades culturais: tem futebol, voley, rugby, tênis, basquete, dança cubana, dança árabe, dança de salão, yoga, aula de canto, violão, locução… e muitas outras. Existem 6 restaurantes diferentes dentro do campus também, a comida é muito variada e às vezes é muito boa, mas é cara.

O país é caro?

Para mim, tudo aqui é muito caso, o transporte, as comidas, as baladas, em geral tudo é caro, mas não acho que os preços sejam abusivos. Se você consegue administrar bem seu dinheiro, é possível viver comodamente.

Você enfrentou alguma experiência difícil?

Até agora não tive nenhuma experiência difícil, me adaptei à cidade e tudo tem sido tranquilo.

Você sente muita saudade da sua família?

Sim, bastante, mas com o Skype e o Whats App as distâncias se sentem mais curtas.

Como foi a sua chegada? Te ajudaram a encontrar um lugar para morar?

A universidade tem uma espécie de programa de padrinhos para estrangeiros, esses padrinhos nos procuram antes mesmo da nossa chegada e nos recomendam que roupas levar, nos dissem onde fazer trocas de moeda e quando chegamos aqui nos ensinam as rotas de ônibus, quais as ruas seguras e nos dão informações sobre o que seja necessário.

A universidade também nos ajuda com a busca por casas, quando cheguei a Baranquilla só dormi uma noite em um hotel e no dia seguinte me mudei para uma casa recomendada por eles.

Que lugares você já visitou? Para onde gostaria de ir até o final da viagem?

Eu gostaria de conhecer Medellín, Bogotá, o eixo cafeeiro e também de voltar a Cartagena. Conheço La Candelaria, Santha Martha, o Parque Nacional Tayrona, Cartagena (só um pouco), Puerto Colombia, Playa Santa Verónica y Mompós.

Parque Tayrona, localizado a 34km da cidade de Santha Marta

Gostou da experiência da Andrea? Para saber mais, acesse o tumblr dessa Periodista Extranjera que fica na Colômbia até o final do ano.

*Leer el texto en español*

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Lo que dice México de Colombia?

La mexicana Andrea Guadalupe Gutiérrez Vargas estudia periodismo en la Universidad de Guadalajara, pero en este semestre se fue a Colombia de intercambio a la Universidad del Norte. La estudiante extranjera está viviendo en Barranquilla y nos cuenta aquí las semejanzas que percibe entre los dos países.

Ya sin el sombrero mexicano

Por que eligiste a Colombia?

Porque la situación de Colombia es muy parecida a la de México y quise aprender de como es la cultura. Los dos países se parecen en cuanto al narcotráfico, la historia que tuvieron en algún momento con Pablo Escobar es la historia que nosotros tenemos en México, con la pelea del gobierno contra el narcotráfico.

Con relación al desarrollo local, qué es lo que te llamó la atención?

El desarrollo es bueno, pero creo que requiere más interés del gobierno al pueblo. Al menos en Barranquilla existe mucha problemática sobre los arroyos que se hacen en temporada de lluvias, estos arroyos dejan cientos de muertes al año. Creo que el gobierno debería involucrarse más, y buscar alternativas para evitar estas muertes. Creo que Colombia y México están muy a la par, considero que lo que tiene Colombia, lo tiene México y viceversa.

Fue necesario sacar visa para quedarte por seis meses?

Sí, requerí VISA de estudiante, se la entregan a toda persona que se quede más de 3 meses. Fue un largo proceso ya que soy de Guadalajara, Jalisco, y el trámite debía ser en el Consulado de Colombia, que queda en el Distrito Federal, y al menos en bus son 8 horas de camino. Tuve que irme un día por la noche para llegar al siguiente a las 6am. Esperar hasta las 8am que abrieran el Consulado colombiano y hacer mis trámites. Tuve que correr por la ciudad para cambiar dinero mexicano a dólares porque era como debía realizarse el pago. Me hicieron falta dos documentos y tuve que correr a un ciber café para pedirle a mi familia que me los enviara. El trámite de la VISA colombiana me costó aproximadamente $800.00. Mi universidad me apoyó en pasarme el dato de los requisitos, pero realmente fui yo la que tuve que darme a la tarea de conseguir los papeles, localizar el consulado en el D.F. y el pago obviamente por mi cuenta.

Qué es lo que más te atrae en la cultura colombiana? 

La comida, su gente, sus pueblos, el café, todo en general. La música que más se escucha es champeta, vallenato, salsa, cumbia. Pero son más propiamente de acá de la costa.

Cuáles son tus comidas preferidas? Y bebidas?

Chuzo desgranado

Mis comidas preferidas hasta ahora son el arroz de coco, chuzo desgranado y mi bebida favorito es el jugo de corozo. El arroz de coco se prepara con coco natural, este se licua con agua, se pone a fuego lento y se pone el arroz, éste agarrará un sabor a coco delicioso y un poco tostado. El chuzo desgranado es un platillo costeño, que viene preparado con bollo (masa blanca, previamente cocinada), papitas, carne, pollo, chorizo, lechuga y queso, con salsa rosada y mermelada de piña. El corozo es una fruta entre roja y morada, que parece una uva, pero es más pequeña, con un pequeño hueso adentro, y muy ácida para comer así sola. 

En que colonia vives? Está cerca de la universidad?

El barrio se llama Nogales, queda a 15 min en bus a la universidad.

La  ciudad es segura?

Barranquilla es como cualquier ciudad grande, tiene horas pico donde el tráfico es bastante cargado y mucho tránsito de buses. Al menos a mi no me ha pasado nada desde que llegué aquí, pero la misma gente te dice que no des mucha confianza, que es una ciudad grande y hay que tener precaución.

En que semestre del año te fuiste? Cómo ha estado el clima?

Llegué el 11 de julio y el clima es tremendo, estamos la mayoría de las veces a 30º y el clima es húmedo así que se suda todo el tiempo.

Uninorte, en Barranquilla

Te gusta tu Universidad en Colombia? La recomiendas?

La universidad de Colombia me gusta mucho, la recomendaría a todos. Ofrece muchas actividades, y es muy grande. Ofrece muchísimos talleres deportivos y culturales: fútbol, voleyball, rugby, tenis, basquetball, danza cubana, danza árabe, baile de salón, yoga, taller de canto, guitarra, locución… y muchísimos más. Tiene servicios de 6 restaurantes diferentes dentro del campus, la comida es muy variada y alguna es muy buena, pero los precios sí son muy altos.

Qué piensas de los precios en Colombia? Es un país caro?

Pienso que todo aquí es muy caro, el transporte, las comidas, las rumbas, en general, todo es caro, pero no creo que los precios sean excesivos. Si sabes administrarte bien, puedes vivir de una buena manera.

Cúal fue la experiencia más difícil que tuviste en ese tiempo?

Pues hasta ahora no ha habido ninguna experiencia difícil, me adapté bien a la ciudad y todo se me ha facilitado.

Extrañas mucho a tu familia?

Sí, bastante, pero por medio de Skype y whatsapp las distancias se sienten más cortas.

Cómo fue tu llegada? Fue fácil encontrar en donde vivir?

La universidad tiene una especie de programa de padrinos de extranjeros, estos “padrinos” que son estudiantes de la misma universidad se ponen en contacto con nosotros antes de llegar aquí y nos explican un poco que ropa nos recomiendan, dónde realizamos cambios de moneda, llegando aquí nos explican las rutas de buses, las calles seguras, y cosas que se dificulten. La universidad también nos apoya con la búsqueda de la casa, de forma que cuando yo llegué a Barranquilla sólo dormí una noche en un hotel y al día siguiente me mudé a una casa que ya me tenía lista la universidad.

A qué lugares te gustaría ir? Qué es lo que ya conoces?

Me gustaría conocer Medellín, Bogotá, el eje cafetero y más a fondo Cartagena.  Conozco La Candelaria, Santha Martha, Parque Nacional Tayrona, Cartagena sólo un poco, Puerto Colombia, Playa Santa Verónica y Mompós.

Tayrona

Parque Tayrona, localizado a 34km de la ciudad de Santa Marta

Qué te pareció la experiencia de Andrea? Para saber más, accesa el tumblr de la Periodista Extranjera de viaje en Colombia.

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Descubra “al loco de Chile”

Felipe Cerda Meza é estudante da Universidad de Chile e chegou ao Brasil em julho deste ano para realizar um intercâmbio acadêmico-cultural na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Além de contar suas experiências no país, ele não deixa de lembrar do que sente saudade e nos traz informações curiosas sobre a culinária chilena.

Felipe no alto da Torre do Relógio, na USP

Por que você escolheu fazer intercâmbio no Brasil?

Desde criança o Brasil é para mim um país onde a alegria, a música, as festas e as pessoas vivem intensamente. Eu escolhi o Brasil pela imagem que eu tenho em minha cabeça. Gosto do clima, também da arquitetura brasileira (uma arquitetura moderna) e da conformação das cidades.

Foi necessário tirar visto para vir ao Brasil?

Sim, isso foi uma coisa muito chata. Eu tive que ir para muitos lados por causa dos papéis para tirar o visto. Eu pensei que para vir para o Brasil não fosse necessário, mas me disseram que para ficar mais do que três meses no país era preciso tirar o visto sim.

Você tinha estudado português antes?

Para vir eu não precisava saber português, mas tentei  aprender um pouco em um site e também com um amigo do Brasil, que me  ajudou muito, nós nos comunicávamos pela internet.

O que você mais gosta da cultura brasileira?

Eu gosto dessa amabilidade que as pessoas têm, eu posso perguntar qualquer coisa e todos dedicam seu tempo para me dar uma resposta, é a ajuda que o brasileiro oferece.

Quais são as comidas e as bebidas de que você mais gosta?

Eu gosto de guaraná e de refrigerante de uva, além da caipirinha. Minha comida preferida é: creme de milho verde com estrogonofe de frango. No geral eu gosto de tudo, só não gosto de escarola e espinafre (essas coisas verdes).

De que pratos você tem saudade?

De muitos, mas eu tenho muita saudade de “pastel de choclo” (é um bolo de milho com frango, carne, azeitonas e uva passa, que em cima leva açúcar, ele vai ao forno para ficar douradinho). Também sinto falta de “chupe de loco” (que é um bolo salgado feito da mistura de pão, ovo, leite, queijo e muito “loco” – um marisco que fica grudado na rocha).

Pastel de choclo

Olha o loco aí!

Em que cidade brasileira você mora? Como tem estado o clima?

Eu moro em São Paulo, no bairro do Rio Pequeno e cheguei no segundo semestre de 2013. Nos primeiros dias tive frio, principalmente durante a noite, mas acho que agora está mais quente. Eu gosto de climas quentes. No Chile as estações são bem marcadas, já no Brasil eu não saberia dizer quando é primavera, verão, outono ou inverno. Para se prevenir, vale a pena trazer um cobertor e uma blusa impermeável para a chuva.

Você recomendaria a Universidad de Chile para estudantes interessados em fazer intercâmbio?

A minha universidade é diferente da USP, são campus em diferentes zonas da cidade e minha faculdade é uma coisa pequena. Acho que as pessoas da FAU-USP gostariam da intimidade que se forma na FAU-UCH.

O que você mais gosta da USP?

Eu gosto muito que seja uma Cidade Universitária, onde todos os estudantes de todas as áreas se misturam, você pode ver pessoas de várias unidades.  Eu gosto das praças e dos espaços públicos que  a USP tem.

FAU-USP

FAU-USP

Qual foi a experiência mais difícil que você viveu no Brasil?

Acho que minha chegada ao Brasil, mas foi uma coisa boa também. No Chile, perdi meu voo e cheguei mais tarde, então tive que ir sozinho ao lugar em que ficaria os primeiros dias. Eu saí do aeroporto e peguei ônibus e metrô só com indicações que me haviam dado. Eu conheci pessoas novas, eu pedi ajuda e todos me ajudaram.

O que você acha dos preços no Brasil?

É muito parecido com o Chile, mas em são Paulo tem coisas que custam mais caro.

Você tem vontade de vir morar definitivamente no Brasil?

Eu gostaria muito disso, mas eu também gostaria de conhecer outros países do mundo, apesar de o Brasil ser um país para viver e ficar.

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Intercâmbio pra França? E aí, o que colocar na mala?

Intercambista do Brasil na França

Intercambista do Brasil na França

Sara Izumi Nishimura é estudante de engenharia elétrica e começou seu curso na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) em 2010. Aos 21 anos, ela decidiu fazer intercâmbio para a França com o intuito de tirar um duplo diploma. A brasileira, que foi estudar na Ecole Centrale Lyon no início de 2012, revela alguns dos desafios que passou até o momento e dá dicas sobre o que levar na bagagem para aproveitar bem a viagem… sem surpresas, por mais simples que elas possam ser!

Por meio de qual programa você realizou o intercâmbio?

Meu programa de intercâmbio é de duplo diploma. Por esse programa eu cursei dois anos e meio de engenharia na Poli e vim para a França para ficar por dois anos. Voltarei para o Brasil em 2014 e cursarei mais um ano e meio de engenharia na USP, totalizando 6 anos de curso. Assim, no final, vou ter o diploma de engenheira pela Escola Politécnica da USP e da Ecole Centrale Lyon.

Inverno em Lyon

Inverno em Lyon

Por que você escolheu fazer intercâmbio na França?

Eu gostaria de ter um duplo diploma e, dentre todos os programas que a Poli possui, o com a França me pareceu o melhor, devido ao fato de a língua francesa não ser tão difícil de ser aprendida e a cultura e história francesa serem encantadoras.

Você fez cursos do idioma antes da viagem?

Sim, fiz curso na Aliança Francesa, Poliglota Idiomas e CAVILAM.

Como você avalia seu aprendizado do idioma depois de um ano e meio vivendo na França?

Tive uma grande evolução na língua desde que cheguei. Hoje em dia entender e falar francês é algo natural para mim.

Foi necessário tirar visto? Os trâmites são muito burocráticos?

Sim, tive que tirar vistos. Existe muita burocracia, porém como eu tive grande apoio da universidade os trâmites burocráticos foram facilmente superados. Na Centrale Lyon existe uma pessoa responsável a quem sempre posso recorrer em casos de burocracia para alunos estrangeiros, o que facilita muito a resolução de qualquer problema.

Como foi sua recepção por parte dos franceses?

Os franceses não são tão receptivos quanto os brasileiros, são uma nação mais fria. Porém no geral eles me receberam muito bem.

Lyon durante a primavera. Na foto, o Parc de la Tête d'Oro.

Lyon durante a primavera. Na foto, o Parc de la Tête d’Oro.

Qual seu prato francês preferido?

Tartiflette. Ingredientes: batata, cebola, bacon, queijo, creme de leite, vinho branco. Ou seja, vai tudo de bom e mais um pouco! hehehe……não me lembra nenhum prato brasileiro.

O que você recomendaria que um estudante estrangeiro colocasse na bagagem?

O clima é bem marcado aqui, é nítida a diferença entre as quatro estações do ano. Mas eu recomendaria que o estudante NÃO trouxesse roupas de frio, pois os casacos de Brasil não agüentam o frio da França. Algo que realmente não consigo encontrar na França são panos de prato como os do Brasil, pois os daqui não secam. É algo bem simples, mas que faz falta.

Qual foi a experiência mais difícil que você viveu até agora?

A partida do Brasil e chegada aqui na França. No começo não havia como respirar, eu estava simplesmente atolada de problemas burocráticos para resolver e com saudades infinitas de casa. Toda a minha adaptação demorou um pouco.

Chamonix é conhecida por ser a cidade que abriga o Monte Branco, que possui um dos cumes mais altos dos Alpes e da Europa Ocidental

O que você acha dos preços na França?

Comparado com seus vizinhos, a França é um país muito caro!

Quais os lugares que você mais gostou de visitar?

Paris e Chamonix-Mont-Blanc.

Você tem vontade de ficar morando na França definitivamente?

Não, minha família e amigos estão no Brasil e ainda quero contribuir muito com o meu país.

                                             

                                                                                                                                   Fotos por Sara Izumi Nishimura 

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¿Por qué hacer intercambio en México?

Bueno pues, por algo yo elegí a México, pero creo que ahora ya puedo contestar a esta pregunta con mucho más confianza. (Y, claro, a quienes les interese saber mis razones iniciales después se las cuento jajajaja). Pero para empezar nada mejor que tener como razón principal el: darse la oportunidad de sorprenderse. ¿Qué sabes sobre México? ¡Pregunta, busca, ve y conoce!

Aquí se les van otras diez razones más:

1) Para poder disfrutar su gastronomía que es riquísima y variada

Difícil decir lo que no me gustó de la culinaria mexicana, ya que ni el picante fue un problema. Diferente de lo que se imagina, en México la comida no viene siempre con chile. En general, se sirven los platillos y aparte se traen las salsas, para que el cliente pueda decidir que quiere echar a su comida. Claro que es recomendable preguntar al mesero si algo ya viene con picante, pero no creas que te vas a enchilar sin que estés seguro de que es eso que quieres para tu vida. Excepto en caso de que tengas malos amigos! jajaja El chile verde, el chile de uña y el chile habanero fueron los que se me hicieron más picosos!

Enchiladas de pollo en salsa roja

Enchiladas de pollo en salsa roja

2) Porque este el país del tequila, mezcal, rompope…

Una cosa se les digo, en México tomé más que en toda mi vida. Pero yo no soy buen parámetro, ya que todavía no me gustan las chelas y regresé a Brasil sin traer ni una botella de tequila. Y que tomó esta niña entonces? Está de broma? No! Tomé vampiros, mojitos, faustina, pulque, rompope y mucho ponche de granada, qué rico! El país en donde se originó el tequila ofrece además de sabrosas bebidas alcohólicas ricos preparados típicos y sin alcohol como la tuba y el atole  y también las aguas de jamaica y horchata. La verdad es que la gente es muy creativa… no pierdan las micheladas y ustedes van a entender a que me refiero. Pongan chilito en el vaso para disfrutarlas más a gusto!

En una fábrica en Tequila

Fábrica de tequila en Tequila

3) Para poder hacer más con menos dinero

En México el costo de vida es más bajo que en Brasil, por ejemplo. Con un planeamiento  bien hecho es posible viajar y aprovechar para conocer bastante de todo que ofrece el país. La moneda mexicana está cotizada en aproximadamente 13 pesos por dólar. Para que se tenga una idea: una botella de un litro de agua cuesta en general 8 pesos mexicanos, una barra de pan grande, aproximadamente 27 pesos y un litro de leche, más o menos 12 pesos.

4) Por sus paisajes hermosos

Los paisajes mexicanos son bien variados y en un paseo por diferentes regiones es posible conocer desde desiertos hasta la selva verde y densa. La vegetación cambia bastante también con el período de lluvias que trae color al paisaje seco por el cual es más conocido el país. México guarda muchísimas especies de cactáceas, las cuales adornan hermosos jardines. Es sorprendente admirar sus formas y espinas, siendo que algunas de estas plantas aun son utilizadas en la culinaria, como los ricos nopales que también generan la tuna.

Jardín Etnobotánico en Oaxaca

Jardín Etnobotánico en Oaxaca

5) Para aprender el español como segunda lengua

Para aquellos que además de todo gustan ir a México para aprender el español, vale la pena decir que en el centro del país se habla el idioma de manera más “neutra”, o sea, menos influenciada por algún acento. Yo, personalmente, también creo que en Jalisco la gente tenga buen tono para el aprendizaje, hablan despacio y cantadito, siendo bien tranquilo entenderlos. En el principio, claro, es bueno decir a los amigos que platiquen mirándote en los ojos (jajajaja), lo que ayuda aun más.

6) Para disfrutar la hospitalidad de los mexicanos

Los mexicanos son gente muy amable y receptiva. Siempre que pedía información en la calle me apoyaban con gusto y hubo casos en que la gente llegó a llevarme al lugar donde quería ir. También me recibieron súper bien en la universidad, tanto los compañeros del salón como los maestros y coordinadores de carrera. Muy hospitalarios, me enseñaron por lo menos dos expresiones que voy a recordar con mucho cariño: “yo por ti” y “mi casa es tu casa”, cosa que decían de corazón.

Reunión con algunos amigos en Ciudad Guzmán

Reunión con algunos amigos en Ciudad Guzmán

7) Para conocer a su diversidad cultural

En México, cada estado y cada rinconcito tiene sus costumbres y cultura típica. Por eso no olvídate apuntar todo lo que aprendas de este sitio para que no pierdas el espectáculo de poder viajar en el tiempo junto con los mexicanos, una población que conserva su pasado y cuida muchos patrimonios de la humanidad.

8) Para disfrutar universidades de calidad

Por lo general, en México, se pude decir que hay tres universidades públicas reconocidas internacionalmente, la UNAM (Universidad Nacional de México), el Instituto Politécnico Nacional y la UDG (Universidad de Guadalajara) que poseen unidades en diversas partes del territorio de los estados de Jalisco y de México. Sobre la UDG, en dónde tuve la oportunidad de estudiar un semestre, puedo decir que la educación mucho me agradó, siendo que en mi carrera considero que tuve buenos maestros y que así he podido aprovechar al máximo mis estudios.

Centro Universitario del Sur UDG

Centro Universitario del Sur UDG

Finalmente, considero que el intercambio no es sólo de uno, pero tiene potencial para ser de todo el salón y de todas las personas con quien nos podemos relacionar mientras estamos en otro país, por eso también la importancia de buscar centros académicos de calidad para hacer que valga la pena la experiencia.

9) Para despertar para sus tradiciones

Una vez en México hay que aprovechar la oportunidad para entrar en contato con las tradiciones que marcan las raíces del país. En el deporte, la lucha libre y la charreada se destacan por la magia de sus presentaciones. A respeto de la música,  el mariachi, los norteños y la banda son probablemente lo primero que vas a escuchar mientras coma tus taquitos, enchiladas, burritos, gorditas y quesadillas en los típicos restaurantes mexicanos. Sobre la danza, en cada nuevo estado la sorpresa está garantizada, con trajes muy propios la gente preserva sus tradiciones al ritmo de mucha alegría.

México Espetacular en el Parque Xcaret

México Espetacular en el Parque Xcaret

10) Para aprender con sus problemas

Como la mayor parte de los países en desarrollo, México todavía tiene muchos problemas que interfieren en su crecimiento social y económico. Así como en Brasil, la violencia también preocupa a las autoridades y más a la población que es directamente afectada por la inseguridad. Todavía, este y otros problemas no impiden que el estudiante y el turista puedan disfrutar las riquezas del país. Lo importante es que esta situación no sea ignorada de ninguna manera y que las personas que visitan a México sepan que por detrás de sus bellezas naturales y culturales existe fuerte desigualdad social. Aprender con la dificultad del prójimo y saber valorar su propio país es un paso importante para poder ayudar también a México y darle la oportunidad a su gente de demostrar la dignidad y honestidad que le caracteriza. A mí, en lo personal, no me tocó ningún acto de violencia que sea, ni robos, ni asaltos, pero como en todas partes es necesario tener cuidado. Con atención y precauciones se puede viajar tranquilo en México, en Brasil y en donde se nos dé ganas de ir.

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